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PRODUTORES DE LEITE, NO OESTE DO PARANÁ, APRENDEM A INOVAR COM SIMPLICIDADE

A adesão dos produtores de Guaraniaçu ao Projeto Agentes Locais de Inovação foi sem custos financeiros e já começa a render os primeiros resultados. Na última quinta-feira, dia 19, um grupo de 13 dos produtores de leite do município participou de uma missão técnica em propriedade modelo em Ibema, oeste do Paraná. O objetivo da visita técnica foi conhecer o uso da tecnologia e da inovação no campo, com baixo custo e alto rendimento.



De acordo com o consultor do Sebrae/PR em Cascavel, Cecílio Max Batista, a visita técnica foi essencial para mostrar que é possível fazer em uma pequena propriedade, referência em inovação. “Ao contrário do que se pensa em muitas pequenas propriedades, é possível inovar sem fazer grandes investimentos financeiros. Basta ter criatividade e visão de inovação. Na missão técnica, esses produtores da pecuária leiteira puderam ver exemplos reais de como isso acontece”, explica. 

Dentre as inovações analisadas pelos produtores estavam tanto ferramentas de produção quanto de gestão da propriedade. Em pouco mais de quatro alqueires (cerca de 100 mil metros quadrados), a propriedade em Ibema abriga 70 vacas leiteiras em sistema de semi-confinamento e, com a criatividade do produtor na aplicação de processos inovadores, passou a produzir 11 mil litros de leite por mês, um rendimento quase quatro vezes maior do que antes da aplicação das benfeitorias. 

A estrutura da ordenha foi reaproveitada e funciona no mesmo espaço onde, antigamente, o dono da propriedade, Vitor Vigo, trabalhava na produção de bicho-da-seda. O canzil, local onde as vacas ficam confinadas para a alimentação antes da ordenha, foi feito reutilizando madeira da propriedade. “Somente nessa adaptação, o produtor teve uma economia de mais de R$ 10 mil, visto que o custo desse equipamento, fabricado em ferro, ficaria em torno de R$ 15 mil”, orienta o engenheiro agrônomo Adelir Lourenço Martins, agente local de inovação em Guaraniaçu. 

Para o momento da ordenha, o produtor também usou a criatividade e inovou com baixo custo. Um sistema de fosso foi criado para que o produtor não precisasse mais ficar abaixado para realizar o manejo. Além disso, o local de alimentação dos animais foi azulejado, para que o alimento complementar (silagem feita com a produção agrícola da propriedade) não sofresse mais alterações com a umidade. “São pequenas adaptações que possibilitam aumentar a qualidade da produção leiteira, diminuir desperdícios e facilitar o trabalho do pecuarista”, assinala Max Batista. 

Com o controle de gastos por animal e custo para produção de cada litro de leite, o produtor também passou a gerenciar melhor a propriedade. “Aplicando ferramentas simples de custos, o produtor pode controlar melhor seu plantel, avaliar se o gasto com cada animal está adequado com o preço de venda do leite e, assim, verificar a viabilidade e lucratividade na propriedade. A agricultura e pecuária familiar devem ser vistas como uma empresa, em termos de qualificação e gestão”, diz Max Batista. 

Projeto nacional 

Em Guaraniaçu, o Projeto Agentes Locais de Inovação, iniciativa do Sebrae/PR em parceria com a Fundação Araucária, também conta com o apoio da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Prefeitura Municipal. Entretanto, o Projeto começou a ser implantado pelo Sebrae Nacional no ano passado, como propostas-pilotos no Paraná e no Distrito Federal. A ideia é disseminar a cultura do empreendedorismo por meio de jovens capacitados, chamados de agentes locais de inovação. Ao todo, 26 profissionais foram a campo no Paraná, somente em 2008 e 2009, para atuarem como disseminadores da cultura da inovação em micro e pequenas empresas, nos setores de Agronegócio, Vestuário e Construção Civil, sensibilizando cerca de 2,8 mil empresários. 

Com os resultados positivos nas cidades que receberam o projeto-piloto, em 2010, novos municípios passaram a receber os agentes locais de inovação, dentre eles, três que fazem parte do Território da Cantuquiriguaçu: Campo Bonito, Diamante do Sul e Guaraniaçu. “No Cantuquiriguaçu, o Projeto está focado na orientação ao setor de pecuária leiteira. Já temos a adesão de muitos produtores, mas ainda tem tempo para participar”, orienta o consultor do Sebrae/PR.

Demais produtores de leite de pequenas propriedades dessas localidades, interessados em receber as orientações do Projeto, poderão procurar as secretarias de agricultura de seus municípios. “A adesão ao Projeto Agentes Locais de Inovação é gratuita e possibilita ao produtor identificar formas de inovar em sua propriedade, aumentando a qualidade de produção e renda. Essas propriedades receberão apoio de profissionais especializados no setor durante dois anos”, afirma Max Batista, do Sebrae/PR.

Fonte:Milknet

 

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