cemilA Cooperativa Central Mineira de Laticínios (Cemil) vai retonar os investimentos que foram postergados no ano passado em função da instabilidade de mercado provocado pela crise financeira mundial. Entre 2010 e 2012 serão aplicados cerca de R$ 85 milhões. Desses, R$ 45 milhões serão investidos na ampliação da sede da empresa em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, onde será fabricado leite em pó, e o restante na construção de uma unidade de processamento da cooperativa em Caruaru, em Pernambuco.

O faturamento líqüido da Cemil no ano passado - que não foi informado - aumentou cerca de 5% se comparado com o resultado obtido em 2008. A expectativa para este ano é positiva. A previsão de crescimento varia entre 8% e 10%, frente o ano anterior.

O início das obras estava previsto para 2009, porém devido à desaceleração da economia mundial, os projetos foram adiados. A intervenção em Patos de Minas será dividida em duas fases. Em princípio, a unidade irá produzir leite condensado e a capacidade de captação de leite será duplicada. Hoje a coleta está próxima a 400 mil litros de leite por dia. Nessa fase serão investidos cerca de R$ 25 milhões. A obra, que deve durar cerca de 12 meses, será iniciada em junho.

Após a conclusão da primeira fase serão aplicados mais R$ 20 milhões na adaptação da indústria para a fabricação de leite em pó.

"Nos próximos dois meses vamos concluir os últimos ajustes do projeto de Patos de Minas e poderemos iniciar as obras. A intervenção será essencial para aumentar a linha de produção, agregar valor aos produtos da Cemil e expandir o mercado de atuação. A retomada dos investimentos só foi possível com os bons resultados apresentados pela empresa em 2009", disse o presidente da cooperativa, João Bosco Ferreira.

Através da expansão do mix, a Cemil pretende iniciar as exportações de leite em pó e condensado, o que favorecerá o fortalecimento da cooperativa no mercado de lácteos.

O segundo projeto que a Cemil irá retomar em 2010 é a construção de uma planta para o processamento de 200 mil litros de leite diários em Caruaru. O investimento previsto é de R$ 40 milhões. O projeto da planta já está em desenvolvimento.

"O mercado nordestino é promissor, principalmente devido ao incremento do consumo de lácteos na região, que foi causado pelo maior poder de compra das famílias. Baseado nesses fatos vamos investir na instalação da unidade na região", disse Ferreira.

Megagrupo - Uma das grandes expectativas da cooperativa para 2010 é a concretização do projeto de união das operações da Cemil com a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR/Itambé), a Minas Leite, a Centroleite, de Goiás, e da Confepar, do Paraná. Com a junção, o megagrupo será a maior empresa de lácteos da América Latina.

Segundo Ferreira, as negociações entre as empresas devem ser retomadas ainda neste mês. O objetivo da unificação é aumentar o poder de negociação no que se refere à compra de insumos, diminuição dos custos e a maior estabilidade nos preços do leite.

"A união é uma tendência do setor em todo o mundo. Através da junção pretendemos expandir e ganhar competitividade no mercado nacional e internacional", enfatizou Ferreira.

Ainda segundo o presidente da Cemil, problemas enfrentados hoje no mercado poderão ser amenizados com a formação do megagrupo. Um dos principais entraves da cadeia são os preços do leite que ainda estão muito baixos no mercado.

"Os preços praticados pela indústria estão muito aquém do esperado. O valor atual do litro está em torno de R$ 1,40, enquanto os custos industriais são de R$ 1,50 por litro. As empresas estão trabalhando abaixo da margem de lucro desde outubro do ano passado. A situação precisa se reverter para evitar o comprometimento do faturamento das unidades fabris", disse.

Fonte: Diário do Comércio
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar